Alegoria da caverna

Ultimamente tenho aguardado a noite e seu silêncio como nunca. É quando a maior parte sã e doente do mundo vai deitar e posso ficar com meus planos. Por muitos anos cultivei terríveis hábitos como a tv ou o som ligados para desviar a atenção do que foi de ruim durante o dia, ou por vezes, apenas ocupar a mente acelerada que não cessa de pensar. Há alguns meses que não há música na hora de deitar e a tv há muito mudou-se de meus "aposentos".

Tenho assim deixado a mente pensar nas idéias que as paredes ou o escuro me dão, e esse último me dá as melhores idéias. Sei que a maior parte delas não sairão desse pergaminho mental onde tenho anotado meus planos. Alguns planos são realmente impossíveis, salvo algo fantástico aconteça. E não há tanto mal em crer no fantástico. É como religião se você entender religião como qualquer relação com o matafísico.

Outros desses planos podem virar sonho real caso eu mude meu modo de ver as coisas, mas isso poderia fazer decair ainda mais minha fé nas coisas. Ainda não encontrei o meio termo entre meu lado cético e meu lado emocional. O fato é que se eu acabar tendendo para meu ceticismo, vou apagar muitas das idéias que nasceram juntas comigo no escuro as quais eu me apego como um devoto aos santos. Talvez minha religião é crer no que eu sonho no escuro e se tocado por luz, isso poderia certamente morrer cego pela luz. Ficarão talvez pra sempre dentro dessa caverna alegórica divertindo minhas noites e indo deitar quando eu me levantar forçadamente com o sol.

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