A beleza da dor compreendida

E se seu rosto pede colo se alinhasse ao meu?
E se suas dores pudessem, não serem anuladas,
mas suportadas por quatro ombros?
E se eu dizendo o que sinto trouxesse um temporal
cheio de dúvidas?
Um mundo louco e desconhecido,
absurdamente novo?
Mas e se você falasse não ao novo mundo?
E se você decidisse viver na sua Europa gélida e confortável?
Seria ainda esse oceano-lago a nos separar.

São todos medos e talvez seus e meus.
Pensando assim me sinto bem pelo pouco possível compartilhado.
E se alguém indagar porque não anularia suas dores,
diria eu que não novamente.
E não somente por incapacidade,
Mas porque sem ela você seria bem menos que é.
Teria, acima de tudo, sua beleza diluída.
E por muito mais ainda não as desintegraria,
pois foi no meio da dor que vi sua grandeza.
Foi ao lhe ver amando que vi sua grandeza
E não é por querer ver sua dor me amando.
É que me parece que o que posso compartilhar
não é o amor nem a dor, sejam elas minhas ou suas.
Só posso aprender com você a carregar a dor
Só com meus ombros.

Murilo C. Neves

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