O peso das coisas

Esses dias assisti a primeira temporada da série Smallville e me peguei pensando no peso que os segredos tem. Lana Lang, a grande paixão do adolescente Clark Kent, sempre o diz que ele às vezes tem o jeito de quem parece carregar o mundo nas costas. Seria esse o peso equivalente de um segredo: o mundo?
Refletindo sobre o fato de que todos temos segredos e por mais que tentemos nos abrir sempre fica algo, lembrei dos pulmões, órgãos vitais, que mesmo após a expiração, sempre ficam com o chamado volume residual. Se assim não fosse, colabariam-se e morreríamos sem ar. Seria nosso íntimo como os pulmões? Sendo assim, seria, pois, vital esse silêncio mínimo da alma , o não abrir-se manteria nosso íntimo respirando.
A questão estaria resolvida se não fosse uma hipótese sobre esse volume residual de segredo(s). Ele poderia tornar-se tão volumoso ao ponto de expandir-se ocupando muito espaço e nos sufocando pelo hipervolume tal qual a hiperventilação dos pulmões. Uma espécie de derrame pleural da alma. O que seria vital então vendo as coisas por esse ângulo? Onde está o limite suportável para manter a alma viva? Isso é tão assustador especialmente quando penso em pessoas que não suportaram o efeito sanfona da alma, desistiram e se foram antes do final.
Um amigo me diz que temos que ser sempre misteriosos, que se nos revelamos corremos o risco de nos tornar pouco interessantes, desvendáveis ao primeiro olhar. Talvez por isso quando ando pelas ruas, no ônibus, nos bares, vejo nas pessoas esse esforço em nome da necessidade de manter-se vivo, ou de manter-se interessante, ou apenas com medo de seus segredos e enchendo a cara pra manter os segredos na linha. Qual das opções eu não sei. Ainda não desvendei, mas em uma coisa concordo com Lana Lang: carregar certos segredos deve ser como carregar o mundo nas costas. Você está carregando o mundo nas costas? Eu tenho medo do meu volume residual com o agravante de não ter a força de Clark Kent.

Comentários

Anônimo disse…
Ei baby como vai vc? Tô morrendo de saudades das nossas bagunças lá no cefet. Vê se marca alguma coisa para a gente se vê. Bjs

Ps. Vc me surpreende com essas sua nóias. São tão profundas!
Charlene

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