Círculos e espirais.
Enquanto esperava um ônibus às 16 horas de hoje e sofria com um sol dos diabos que torrava a pele comecei mentalmente a fazer uma listinha de desejos, primeiramente os emergenciais. Água ou alguém que vendesse já estaria de bom tamanho, mas o comércio mais próximo que não me arriscaria a perder o ônibus seria uma borracharia. Não deveria ter água limpa. Passei então para o carro que poderia me salvar chegando até o próximo posto de gasolina e saciar minha sede facilmente sem prejuízos para com o horário louco que cumpro nas segundas e quartas da minha atual vida de trabalho.
Após estar no ônibus ainda preocupado com hora, pois este se arrastava como se o mundo não andasse com pressa, um outro desejo me aflorou a mente: um desacelerador da vida. Ou melhor um pedal acelerador, pra apressar ou retardar os instantes ao bel prazer. Esse resolveria quase tudo. A sede poderia passar, o tempo mais devagar... Até o próximo desejo, a próxima crise de imediatismo, o próximo remédio. Opa, remédio não soluciona pra nada. Prolonga a vida e em alguns casos os sofrimentos.
O que é imediato é assim. É desejo e só. Quando saciado, é substituído por outro, e depois outro, e mais outro...Uma curva que é sempre seguida de uma reta que na frente tem outra curva até que nos perdemos nos próprios de desejos. Os imediatismos não andam em círculos como se prega, mas em espirais do centro para as bordas inexistentes. Os reais desejos, esses sim, andam em círculos. Como um cão atrás do próprio rabo, amanhecem e dormem conosco, ficam vivos nos sonhos. É rezar pra não ficar tonto de andar nos círculos, que utopicamente seriam os importantes, e preferir a espirais por serem mais dinâmicas mesmo que passageiras.
Passei uns dias distantes do caminhar em círculos pois já estava um tanto zonzo e ainda não voltei. Vez por outra me penduro nele como num carrossel e depois salto de novo. Porque sei precisamente que estou andando em círculos. Ainda que delicioso, é em círculos.
PS.: Não precisa entender nada. São só círculos.
Após estar no ônibus ainda preocupado com hora, pois este se arrastava como se o mundo não andasse com pressa, um outro desejo me aflorou a mente: um desacelerador da vida. Ou melhor um pedal acelerador, pra apressar ou retardar os instantes ao bel prazer. Esse resolveria quase tudo. A sede poderia passar, o tempo mais devagar... Até o próximo desejo, a próxima crise de imediatismo, o próximo remédio. Opa, remédio não soluciona pra nada. Prolonga a vida e em alguns casos os sofrimentos.
O que é imediato é assim. É desejo e só. Quando saciado, é substituído por outro, e depois outro, e mais outro...Uma curva que é sempre seguida de uma reta que na frente tem outra curva até que nos perdemos nos próprios de desejos. Os imediatismos não andam em círculos como se prega, mas em espirais do centro para as bordas inexistentes. Os reais desejos, esses sim, andam em círculos. Como um cão atrás do próprio rabo, amanhecem e dormem conosco, ficam vivos nos sonhos. É rezar pra não ficar tonto de andar nos círculos, que utopicamente seriam os importantes, e preferir a espirais por serem mais dinâmicas mesmo que passageiras.
Passei uns dias distantes do caminhar em círculos pois já estava um tanto zonzo e ainda não voltei. Vez por outra me penduro nele como num carrossel e depois salto de novo. Porque sei precisamente que estou andando em círculos. Ainda que delicioso, é em círculos.
PS.: Não precisa entender nada. São só círculos.

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