Em sua defesa
Fazem agora exatamente 43 minutos que um dia acabou.. mais um dia! Pelas contas grosseiras já estou por aqui há mais de 13.500 dias. E hoje, ou melhor, ontem, foi um dia de muito trabalho. Tanto que no dia do meu aniversário não pude retornar quase nenhuma mensagem recebida. As das redes sociais consegui apenas “curtir”. E venho primeiramente agradecer a todas elas e pedir desculpas por não ter comentado devidamente como sempre tento.
O tempo não é mais o mesmo. Nesses tempos, que um dia foram o futuro (ano 2000 era futuro há pouco tempo atrás), a promessa de máquinas que tomariam o lugar de nosso braços não se cumpriu e o sonhado “mais tempo livre” nem parece estar nos novos futuros. Mesmo com tão pouco tempo, há ainda quem aponte uma suposta superficialidade ou pouca sinceridade presente em mensagens simples. Julgadas como clichés que jogados ao vento pouco ou nada diriam (sim, tem gente que pensa assim!), sendo, pois, meras práticas de nossa vida social, resultante de lembretes automáticos em redes sociais e calendários nos smartphones.
No entanto, creio que às vezes não ser literais é a nossa beleza. E por literal, entenda, falo da errada impressão de que o que se queria dizer não é dito por não se usar algumas palavras escolhidas a dedo (obsessão humana de que há um jeito “certo” pra tudo). Sim, também concordo, o tempo de hoje nos rouba os instantes dedicados a escrever um cartão com as tais palavras escolhidas a dedo que tanto queríamos. Mas é preciso ler além dos supostos textos acusados de clichés. Até pequenos textos merecem um julgamento justo com advogado e tudo. E é para isso estou aqui. PARA DEFENDER O SEU TEXTO!
O que se esquece é que o mundo do hyperlink está em um contexto. Sendo cada pessoa única e sua marca na vida de outra também única, no cenário de tantos simplesmente “felicidades” há uma mensagem que só esse interlocutor aqui, a quem tudo foi endereçado, interpreta. Esses “felicidades” me chegam de modo muito particular. Eles podem ser “Que bom que lhe conheci.”, “Que bom que lhe conheço.”, “Que grandioso ser (e/ou ter sido) seu.”, “Precisamos conversar em breve”, “Adoro rever nossas fotos”, “Ai que distância danada!”, “E se fizéssemos tal coisa de novo?”, “Quando afinal vamos beber?”, “Nós vibramos em outra frequência.”... E até o silêncio fala! Às vezes grita e ecoa como se de um abismo por entre as curtidas de curtidas dos outros. Há tanto que nem precisa ser dito… Ou alguém duvida que um olhar pode ser sentido ao telefone ou via pensamentos?
Certa vez em uma conversa de bar, indagava uma amiga poeta o porquê dos mais belos poemas serem tão melancólicos. Chegamos a conclusão de como a felicidade é indizível. Posto que indizível é, como dizê-la com a devida dosagem. E se a vida não pode ser um conta gotas nas nossas mãos, imensurável com precisão, que percamos o medo de não poder dizer por não saber, por não poder, por não ter tempo, por não achar as palavras. Percamos inclusive o medo de usufruir do silêncio, pois cada um que nós é caro ao outro a sua maneira, dimensão, gradação...
Ninguém passa batido! Nenhum de vocês passou batido por não me ver hoje, por não ter conseguido falar ao telefone, por não ter escrito uma sms, por não ter acessado a www, ou por pensar ter esquecido, ou por pensar que não dei tanta importância devido a uma mera “curtida”. O que é memória não passa e está gravado em nós. Somos seres interligados pela existência, pelo compartilhamento de momentos, fases da vida, carreiras, amores, desamores, etc. Essas coisas não se desligam. Ser parte do mundo é estar em cadeia.
Há ainda quem diga que tudo é em vão, que comemorar mais um passo rumo ao final é um disparate. Bem, se tudo é mentira, se as conexões que fazemos na vida se desfazem, eu fico com a mentira de que tudo é eterno. Mentiras sinceras me interessam.
Obrigado a todos que de algum modo lembraram do meu aniversário, que ainda vão lembrar, que gostam de me encontrar sempre, que curtem a minha existência, e toda essa deliciosa “mentira”.
Um beijo no coração de todos.
Seria desnecessário citar nomes, pois iria de encontro a tudo que escrevi, pois cada um de vocês sabe quem é e o que representamos um para o outro. Muito obrigado!

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