Mapa: de onde o novo sempre vem
A morte de Mathew Perry (em 28/10/2023) me fez lembrar algumas coisas e refletir sobre tantas mais.
Quando a série "Friends" estava no auge, eu estava nos primeiros anos do meu primeiro emprego em um curso de idiomas. Lembro de todos comentando sobre episódios do programa. Só eu não assistia, porque eu não tinha TV por assinatura, algo muito mais caro que hoje ainda é.
As primeiras vezes que assisti a série foram no trabalho, porque havia várias atividades do laboratório de línguas feitas com base em episódios série (em fitas VHS e depois em DVD). Em muitas dessas atividades eu mesmo participei da elaboração. Depois as atividades tiveram que ser substituídas, pois "jovens" costumam ser algemados à contemporaneidade.
Eu acho que os jovens de hoje, em especial, são tão excessivamente presos ao agora que perdem a capacidade de ouvir, ver ou ao menos de ser curiosos sobre o que veio antes. Isso não é excesso de nostalgia minha. Minha geração toda sabia quem é Chaplin e Marilyn Monroe, por exemplo. Sabíamos também daqueles que, mesmo ainda vivos, não estavam mais tão na crista da onda, como Liz Taylor, Marlon Brando, Sinatra, James Brown, e tantos outros.
O consumismo faz isso: apaga tudo e põe outro produto na prateleira como se esse "novo" pudesse existir sem que o anterior não tivesse existido. A cultura do consumo do agora dá a ilusão de que tudo pode ser substituído. Não pode! A novidade não existe. A existência do hoje deve sua existência aos precursores, porque novidade é nada mais que a recriação, a resignificação. Ela não parte do zero. A própria admissibilidade do zero é (ou já foi) fruto de debate longo entre os matemáticos, mas isso eu deixo com eles, porque não sei fazer contas. Sou, porém, bom de memória.

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